Oriundos de Coimbra, ou como gostam de dizer, das florestas negras de Coimbra, chegam-nos os Lifedeceiver. Nascidos das cinzas dos Greg the Killer (GTK), os Lifedeceiver mantém a mesma formação que, já em 2009, deu como concluídas as actividades como GTK. Temos, portanto, Mike na voz, Bruno na guitarra, Plácido no baixo e Romano na bateria.
Influenciados por alguns dos actos mais brutais dentro do próprio hardcore mundial (falo de bandas como Breakdown, Cro-Mags ou Integrity) os Lifedeceiver acrescentam-lhes ainda uma pitada mais “ametalada” à la Black Sabbath ou Entombed, pelo que, fiquemos desde já esclarecidos que esta banda não é para meninos.
A banda apresenta-se com uma demo de três músicas. Intro \ Needles, Riot in Hell e The Massive – passíveis de audição no myspace da banda – as quais temos desde logo que comparar com GTK, não por serem totalmente semelhantes – não o são – mas sim porque há uma claríssima evolução no som da formação conimbricense. A guitarra está mais trabalhada, e principalmente, os backing vocals compõem melhor as músicas. O som mescla ritmos mais pausados com partes mais rápidas, propícias a resultar ainda melhor ao vivo. Músicas negras, contudo bem imaginadas, de modo a não soar a falso. Um óptimo ponto de partida, para uma banda que apresenta potencial para figurar como mais um dos bons actos musicais nacionais.
Os Lifedeceiver andarão por aí nos próximos meses, acompanharão bandas como Miles Away ou Arkangel nas suas visitas a Portugal, mas agradecem ainda mais oportunidades. Gravarão o seu primeiro EP no Olem Prod HQ pelo que aproveita, apanha-los num show e ajuda. Há merch disponível e ele vale bem a pena.
Abril marcou o regresso dos portugueses Day of the Dead (DOTD) aos registos sonoros. Desde 2001 – ano da formação da banda – que o conjunto lisboeta/louletano tem pontuado o panorama musical português com o lançamento de diversos trabalhos. 2009 traz-nos o segundo longa duração – depois de A New Healing Process – denominado Perspectives.
Alguma expectativa assolou a massa adepta da banda após a saída do guitarrista Jefferson Ferreira (responsável pela guitarra até à gravação do A New Healing Process ) que deixara a banda com somente um guitarrista (Nuno Saldanha).
A verdade é que, após algumas audições a Perspectives, é possível notar que o que se perdeu em composição, ganhou-se em identidade., ou seja, a saída de um dos guitarristas permitiu que a banda ganhasse um som mais à DOTD, e menos à Modern Life is War, sendo no entanto impossível de deixar de referir uma parte final de We’re Not Speaking the Same Language muito ao estilo de uns Unbroken.
Influências à parte, Perspectives assume-se com uma sonoridade mais singular da banda. A guitarra confunde-se muitas vezes com o baixo – não notar qualquer carga negativa na anterior afirmação – ainda que, assuma um papel mais arrojado, pontuando situações que mostram semelhanças a um solo (Fighting Crusades With Golden Swords, que conta ainda com a colaboração do vocalista dos If Lucy Fell, Makoto Yagyu). Alguns elementos de cariz ambiental, que já se podiam notar em A New Healing Process, compõem também o novo álbum dos DOTD.
Como não poderia deixar de ser, há toda uma aura “decadentista” a rodear o álbum. Essa é porventura a maior característica da banda, que felizmente, não se perdeu no novo registo. Diria até ter-se intensificado. Remebering the Dead a antever uma muito “negativa” His Eyes, A Thorn In My Side.
Em relação ao lirismo da banda, a mesma mantém a sua toada mais filosófica, moralista até. Parece-me no entanto que perdeu – a meu ver, de forma positiva – alguma ambiguidade: está mais directa, mais identificativa, significativa até. Mais facilmente associamos passagens das músicas a determinadas situações do quotidiano, face a anteriores registos, sendo que, e importa referir, existem passagens de grande inspiração. Terei de destacar: “We’re not fighting crusades with golden swords, we’re just following our own path”, ou melhor, concentremo-nos na totalidade da letra de We’re Not Speaking the Same Language – a meu ver, o ponto mais cintilante do álbum – e de Fighting Crusades With Golden Swords… Almeja a perfeição.
Contudo, não só de negatividade fala Perspectives, Drive North é um bom exemplo de positivismo, seguir em frente, aprender com os erros.
A verdade, é que 8 anos depois da formação da banda, a mesma edita um dos melhores registos criados em Portugal – a meu ver, e isto é obviamente parcial, o melhor mesmo. Curto, é certo (não chega aos 30 minutos ) mas de uma carga emocional enorme. Por certo não agradará a todos, nem mesmo dentro do panorama Hardcore nacional, mas para aqueles que seguem um som mais similar ao dos DOTD é um registo de enormíssima qualidade.
Day of the Dead, Perspectives (Anchors Aweight \ We Love Pandas, 2009).
Foi uma Casa de Lafões praticamente cheia aquela que assistiu ao Downtown Street Rock Fest no passado dia 28 de Março, evento que colocaria os Pura Repressão de novo em cima de um palco, 5 anos depois do seu último concerto.
Moldura humana muito longe da que habitualmente se desloca ao novo signo (símbolo?) da cena Punk-Hardcore lisboeta – convém dizer-se que dos habituais, poucos eram os presentes – mais velha, mais pesada, literal e estilisticamente falando, de uma era do punk nacional, que os leva a surpreenderem-se com a arquitectura da bonita sala com nome de terra da zona de Viseu.
A acompanhar os lendários street-punkers estiveram os Mordaça e os Overcome.
Foi precisamente por estes últimos que se deu o inicio das festividades, diga-se, com uma pontualidade muito… portuguesa.
Claramente influenciado pelos sons mais bairristas de NY, os Overcome apresentam um Hardcore mesclado entre slowtempos, partes rápidas mas, acima de tudo, muitos breakdowns, a que o público menos receptivo a este tipo de som transformou num fraco feedback. Receptividade essa que se estendeu a um ou outro elemento de ideologias políticas algo duvidosas perante a sociabilidade na sala entre etnias diferentes, como aliás, deve ser apanágio deste tipo de música. Tudo tranquilo ainda assim.
Fechou a cortina, e seguiram-se os Mordaça.
Não incluídos inicialmente no cartaz – surgiram em substituição dos Steal Your Crown – os Mordaça são uma das representações actualmente mais activas de uma das escolas do HC nacional mais personalizadas, a de Linda-a-Velha. Cantado em Português e com um som mais ao gosto do dos presentes, os Mordaça seguraram e tiveram, aliás, uma adesão por parte do público mais condizente com as suas expectativas. Concerto onde não faltou o mosh, a circle pit, o stage dive e o crowd surf, algum sing-a-long e, claro está, uma cover para honrar as influências.
Claro que tudo isto acaba sendo um pouco eclipsado, quando se sabe à partida que mais tarde um dos históricos do punk nacional, estaria de volta aos palcos, e sem precisar provar nada a ninguém – o público, esse, já estava conquistado à partida e onde não faltaram sequer pais dos elementos da banda – debitaram o seu rápido e furioso punk, em hinos nunca esquecidos. “Cabrão” a abrir, “1,2,3,4” lá pelo meio e “Sapatinhos Chico” e “Tudo à Chapada” a fechar, numa set list, onde ainda se encontrou espaço para tocar Ratos de Porão.
Agora, quando falamos em acabar em “Tudo à Chapada”, podemos ver a questão de duas formas: A) A banda toca a música intitulada “Tudo à Chapada” e o público gosta e canta, ou B) A banda toca a referida música e, lá em baixo, no chão, instala-se o caos, sendo que, literalmente, começa tudo, mas mesmo TUDO, à chapada. Circle pit e consequente mosh pit do palco até à porta de entrada. Monstruoso, no mínimo.
Cerca de 2 anos desde o último trabalho, eis que o quinteto de Providence surge com outro LP e antes de mais devo dizer que se esmeraram, e muito! Confesso que estava um bocado de pé atrás com a banda antes de ouvir este disco, tendo em conta o último trabalho. Quer dizer, o Rebuild (2005) era era um disco de hardcore 'puro', mas o From Anger and Rage (2006) mostrava outra veia criativa completamente diferente, que embora não me tivesse agradado a 100% não faz com que fosse de todo um mau disco. De qualquer forma, uma vez que os Verse partilham um guitarrista com os Have Heart - e tendo em conta que odiei simplesmente o último LP deles - estava receoso de que surgissem trabalhos semelhantes, mas não poderia estar mais longe da verdade. Aggression faz jus ao nome, são 12 malhas agressivas, onde partes mid tempo e breakdowns se conjugam com algumas partes rápidas para desenjoar, e em que dá para sentir toda a fúria que o vocalista transmite ao entoar as letras. Produção top notch a soar bem clara e um artwork simples mas agradável à vista, isento de mariquices completam um disco com qualidade.
No fundo, com este novo esforço, os Verse fizeram o disco que eu gostaria que os HH tivessem feito - e dadas as críticas, também eles provavelmente.
Estava aqui a ouvir o novo albúm de Terror (obrigado Mafalda!) e senti necessidade de vir aqui fazer uma review sobre ele. Eu pessoalmente adoro Terror, a atitude, aquela raiva, a velocidade e sem esquecer os riffes bem pesados, tudo isso, faz-me o sangue ferver. Este novo albúm nota-se, claro, um albúm bem mais trabalhado, menos "seco", mas com toda a raiva característica deles e a agressividade que se exige (de início estava um pouco temeroso, talvez tivesse medo que eles se perdessem um pouco "no caminho" ... mas, felizmente, estava enganado!). Como também tive a oportunidade de debater com a Mafalda enquanto recebia o albúm e trocavamos impressões sobre os Terror, o melhor trabalho da banda, foi, sem dúvida, o "One With the Underdogs" mas este não desilude, mesmo nada, ainda que tenha algumas partes mais "calmas". Adorei a "Suffer To Return Harder", "Let Me Sink" e a "Feel The Pain". Espero que passem cá por Portugal novamente e, de preferência, brevemente !
Foi o ano de consolidação/afirmação de várias bandas que deram vários concertos, puseram cá fora demos ou ep's ou muito trabalharam para se afirmar das mais diversas maneiras: NO GOOD REASON (editaram demo, deram vários concertos por cá e fizeram tour no UK), ADORNO (editaram demo, reeditaram-na num 12” bem bonito, deram vários concertos por cá e fizeram tour europeia de um mês e uma na Alemanha no fim de Dezembro), BROKEN DISTANCE (editaram a demo, gravaram o ep que já cá devia estar fora e deram vários concertos por aí), A PEACEFUL FIGHT (finalmente editaram a demo e tocaram algumas vezes e pessoalmente é das bandas que mais gosto de ver ao vivo), OVERCOME (editaram a demo e deram um concerto mesmo muito bom a abrir para Madball), WORTH THE FIGHT (tocaram várias vezes e julgo que é deste ano o split com MY RULES), GRANKAPO (editaram um ep em cd e deram vários concertos, indo inclusive ao festival na Galiza com Madball, Ignite e mais umas cenas), STEAL YOUR CROWN (gravaram um vídeo clip e continuam a ser das melhores bandas ao vivo), DECRETO 77 (editaram um split com PISS!! e um com os finlandeses Flippin’ Beans e tocaram muito por ai), THE YOUTHS (puseram cá fora o ep e além dos concertos por cá fizeram uma tour na Alemanha e leste da Europa), LARKIN (editaram o álbum), STEP OUT (editaram a demo e tocaram algumas vezes), BULLETPROOF (tiveram algumas mexidas na formação mas consolidaram o estatuto), KILLING FROST (fizeram tour europeia de um mês, tocaram algumas vezes por cá e puseram cá fora mais uma tape), MY RULES (tocaram algumas vezes e editaram o split com WORTH THE FIGHT), DAY OF THE DEAD (deram vários concertos por cá, saiu a 2ª press do split com Ruiner e fizeram tour ibérica com Endstand)
Para outras foi mesmo o ano de lançamento de discos que só vieram enriquecer isto: LAST HOPE (saiu o terceiro disco: Continuar a Acreditar, acompanhado de alguns concertos por aí… cresce cada vez mais o respeito pela banda que continua com força no hardcore português há mais de 15 anos), ETERNAL BOND (saiu o primeiro disco – Convictions e a banda consolidou o seu valor ao vivo tendo tido uma visibilidade crucial ao abrir para Madball e ainda deram uns shows em Espanha), BARAFUNDA TOTAL (editaram o Um Passo Para Crescer, um grande disco de punk hardcore em português editado em nome próprio), FOR THE GLORY (fecharam o ano em grande pondo cá fora o Survival Of The Fittest, um grande disco que se vai tornar um marco no hardcore português além de terem sido das bandas que mais tocaram por esse país fora e também no estrangeiro).
Houve vários concertos de bandas estrangeiras para todos os gostos: ZERO TOLERANCE, MADBALL, STRIKE ANYWHERE, COMEBACK KID, AFGANISTAN YE YE'S, JUSTICE, FIRST STEP/COMMON CAUSE, TERROR/NTB, AGNOSTIC FRONT/SWORN ENEMY, ANGEL CREW/BACKFIRE, RDP, QUESTIONS, IGNITE, BFP/FIRSTBLOOD, FIRED UP!/TRUE COLORS, 25 TA LIFE, DRAFT, ENOCH ARDON, ENDSTAND, NOFX/LOVED ONES, OI POLLOI... (ok, havemos de achar sempre pouco...).
Houve concertos quase todas as semanas e às vezes vários no mesmo fim de semana... As bandas portuguesas estão bem e houve alguns concertos de que me lembro como tendo sido especiais: o último de POINTING FINGER em Lisboa, na Casa de Lafões teve um feeling engraçado com dives e sing-a-long e até a sala contribuiu para isso (o palco faz-me lembrar Campo Grande), NOT WITHOUT FIGHTING no Ponto de Encontro – não tanto pelo concerto em sim mas mais pelo ambiente porque há muito tempo que não via tanta gente naquela sala mítica num concerto de hardcore. A tarde do concerto de despedida de BREAKING THROUGH, na T.O.C.A. também teve um ambiente especial e que não sentia num concerto de hardcore há muito. Todos os concertos dessa tarde foram bons (NO GOOD REASON, WORTH THE FIGHT, APF e BREAKING THROUGH) mas os das duas últimas bandas foram especialmente intensos. O ano acabou bem com um grande concerto com muito bom ambiente no Music Box com BROKEN DISTANCE, DAY OF THE DEAD e FOR THE GLORY – o concerto de FTG teve como pretexto a apresentação do álbum e foi uma verdadeira festa e o DOTD foi dos melhores que vi da banda e se calhar deviam incluir mais clássicos nos sets recentes – soube muito bem cantar os clássicos novamente! É bom sentir que há divisões ultrapassadas e ver no mesmo cartaz bandas que não se pensava que tocariam juntas…
O mesmo não se pode dizer da quantidade de pessoas nos concertos, mas esse problema é persistente e a reflexão sobre o porquê e possíveis soluções fica para outro sítio...
Pessoalmente, acho que o punk/hardcore em Portugal circa 2007 está vivo e num momento alto…
Cheguei ao local com bastante antecedência e comecei logo a sondar pessoal que pudesse estar pela zona por sorte a minha madrinha de "faculdade" ia jantar ás tasquinhas com amigos comuns.
As ameijoas á bolhão pato estavam excelentes e enquanto as saboreava começa a tocar um rancho folclórico num pequeno palco á nossa frente.
Os gritinhos de uma das mulheres eram tão estridentes que quase me puseram indisposto, o único ponto positivo foi terem tocado o fandango.
Acabado isto, e depois de uma breve espera, começa o show no palco principal, começo a ver umas mulheres meias despidas a dançar acompanhadas por um jogo de luzes avermelhado e pensei logo para mim que era o meu dia de sorte pois iria assistir ao espectáculo do CrazyHorse de borla, começam a tocar a cover da "It's RainingMan" e foi o êxtase geral na mesa,depois da musica acabar a cantora começou a falar um espanhol abrasileirado o que estragou logo tudo. entretanto acabaram as covers e o espectáculo decresceu abruptamente de qualidade (porque é que ninguém faz covers de spandau ballet?!) e resolvemos ir para um café nas proximidades do recinto.
Depois de beber um carioca de limão e de observar uma barata mutante no tecto do café segui para fazer o reconhecimento do território e ver qual a qualidade da "tenda alternativa". Num parque com relva bonita decidiram colocar a tenda numa porção de terra e infelizmente os pequenos pedaços de palha que colocaram não foram suficientes para manter a poeira no chão. O publico chegou-se a frente do palco e FromNowOn tentaram ,com os seus breakdowns, que se movimentassem mas o pessoal preferiu ficar a assistir imóvel excepção feita a uns bêbados que la estavam e ao conde 666 com o seu headbang, não sei como não partiu o pescoço ao abanar-se tanto. Tocaram umas musicas do recente ep, a cover da dietonight (que não apreciei muito) e umas novas, foi um concerto ok.
Roda o palco e regressa FTG aos palcos,os demónios caiem sobre Almeirim e invadem as almas da juventude local. Foi bonito ver putos desconhecidos a cantar as letras, grandes circlepits e uma altura em que da frente até perto da mesa de som começou tudo a fazer(alguns a tentar) o belo do 2-step, deixou-me um grande sorriso na cara. realmente foi pena as nuvens de pó (principalmente para o sistema respiratório) mas no fim das contas isso é o menos importante. Tocaram as faixas habituais do MCD, as 3 do ep, 3 novas incluindo uma que nunca tinha visto em nenhum concerto e que achei excelente (dizem-me que o novo álbum vai rebentar e eu acredito neles),no fim tocaram a DrowninBlood para o pessoal literalmente pontapear os demónios para fora de si (pena não terem conseguido ensaiar a Musica de Integrity a tempo, espero por ela num concerto próximo ) Acabado o concerto foi tempo para as ultimas conversas,'curtir' o som das barracas que estavam la ao lado,despedidas e siga para Lisboa.
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Viagem Convívio com os amigos Ameijoas á bolhão pato For TheGlory Juventude empolgada