27/11/2009

Hatebreed 2009


Depois de "Supremacy" e do álbum de cover's "For The Lions" a banda liderada pelo carismático Jamey Jasta volta em grande com o seu mais recente álbum ao qual a banda decidiu dar o seu próprio nome. É um CD composto por 15 músicas que conta com o regresso de Wayne Lozinak para uma das guitarras, ele que já tinha feito parte da banda no inicio da sua caminhada. Hatebreed tornou-se uma banda de top, por isso a exigência é cada vez maior a cada trabalho, a cada concerto, e a verdade é que a banda não faz por menos e faz-nos o favor de arrasar a cada música que cria. Também é verdade que fazendo parte das minhas bandas de eleição posso ser suspeito para falar sobre eles, mas penso que dentro do Hardcore todos nós gostamos seja desta ou daquela malha de Hatebreed, certamente ninguém ficará indiferente.

"Hatebreed" abre logo com duas faixas devastadoras, "Become The Fuse" e "Not My Master" prometem agitar muitas cabeças, prometem fazer mexer muitas salas por este mundo fora, e á imagem geral do álbum, são músicas de um hardcore pesado, um groove solto e caracteristico da banda, uma excelente voz que grita a cada frase palavras de ordem tão reais e directas que entram logo na cabeça e nos fazem cantarolar o dia inteiro. As músicas são de curta duração, como habitualmente, sendo "Undiminished" a mais longa com 4:19, música que difere um pouco do resto do álbum não só pela própria duração mas instrumentalmente diferente, mais progressiva e estruturada sem qualquer presença de voz, com solos magistrais, ouçam. Acrescentar a curiosidade da última faixa ser uma re-edição da cover de Metallica "Escape" que também já tinha saído em "For The Lions". Certamente 2009 não terá muitos álbuns com a qualidade que "Hatebreed" apresenta, este que é mais um trabalho de estúdio de Zeuss, um produtor que já trabalha há alguns anos com Hatebreed e eu não me canso de considerar o melhor dentro do movimento Hardcore a produzir álbuns, sobretudo pela qualidade de gravação e mistura, ele que trabalha no seu estúdio em casa. Uma mistura explosiva que resulta, provavelmente, num dos melhores álbuns do ano de 2009.


23/11/2009

Reality Slap + Amigos @ Campo Grande

A tarde prometia. Boas bandas e uma sala que regressava ao panorama de hardcore nacional.

Quando cheguei, estava MUITO mais gente do que eu previa. Segundo o que li, foram mais de 250 as pessoas que se juntaram para ver este concerto, o que é sempre bom. Seguiram-se cumprimentos e dois dedos de conversa com pessoas que não se vêem todos os dias e, com algum atraso, começaram os concertos. Vi também muita gente nova (leia-se pessoas que não vejo nos concertos), o que confirma o poder dos cartazes colados na rua. Boa cena.

Quando entrei, já os Please Die! tinham começado a tocar. Nunca tinha ouvido, confesso, mas o som cativou-me logo. A bateria é rápida e a guitarra ouvia-se bem. Houveram bons discursos, incluindo uma boa homenagem ao pessoal do algarve que continua a ajudar e a lançar bandas com qualidade. Curti bastante e a cover de No Warning fez com que a sala se mexesse muito pela primeira vez. Em suma, quero ver outra vez e comprei o EP "On This Cross". Façam o mesmo.

De seguida, vieram os Overcome. O pessoal da SPOC chegou-se à frente e começou a festa na verdadeira ascenção da palavra. Eu adoro a Overcome, o som diz-me muito e a atitude é inegável e mais uma vez curti bué o show, fiquei com um sorriso na cara e isso é sempre bom. Já agora, a música HC Show com o Ricardo de Omited é brutal! E houve lugar a mais uma cover, desta vez de Madball, foi óptimo!

Quando Overcome terminou, vi que o chão da sala já não estava a resistir às bebidas que de vez em quando caíam. O centro estava completamente escorregadio e os cantos estavam cheios de garrafas. As quedas iam ser inevitáveis.

Confirmou-se isso quando começou For The Glory. Já não é segredo para ninguém, mas nunca é demais dizer que FTG dá os melhores concertos em Portugal. O set foi o habitual, o pessoal curtiu imenso (os milhares de stage dives atestam isso mesmo), e notava-se que havia orgulho da parte deles por voltarem a tocar na sala onde começaram. Espero que daqui a mais 6 anos continuem a tocar esta pujança. Ah! A segunda música nova que tocaram tem um groove do caralho e parece-me muita boa.

Para o fim ficaram os Reality Slap. O pessoal começou a preparar-se para regressar aos anos 80 e celebrar a release do "My Brother Evil" que já tinha sido disponibilizado em formato internético. Notou-se que estava menos gente a curtir que em FTG (mas isso acaba por ser normal), mas o concerto foi muito bom! Aliás, acho que foi o melhor e maior concerto que vi deles. Tocaram grande parte das músicas que têm gravadas e houve ainda tempo para curtir Negative Approach, Cro-Mags, Madball...enfim, grande festa. Para mim, são a banda que tem melhor som em Portugal. E no final, aquele coro foi muito bom hehehe

Foi então uma boa tarde, valeu bem os 7 euros e só é pena que tenham partido uma porta....não se percebe.

03/11/2009

October Massmurder Fest



No dia 17 de Outubro, aconteceu mais um grande evento de hardcore em Portugal, com um cartaz recheado de bandas portuguesas e internacionais: o Massmurder Fest em Cacilhas no Revolver Bar, estando mais de 100 pessoas presentes.

O inicio do espectáculo deu-se por volta das 17 com Never Fail a começar a um bom ritmo. De seguida entraram os Lowblow mostrando a sua garra em palco. Depois entraram os espanhóis Dias Cruciales de Madrid também mostrando o seu hardcore bem como as suas influências de bandas como Arkangel e Kickback.



Após Dias Cruciales foi a vez de entrar o Domy (um dos organizadores do festival) com os Not Without Fighting, sempre a puxar pelo público, a mostrarem a sua garra em palco e a espalhar a mensagem sobre o que é o hardcore, especialmente com a música Die Hard.



Já com o público bastante acordado, foi a vez de Steal Your Crown, a jogar em casa, a rebentar com o Revolver bar com temas do seu MCD bem como outros mais antigos, Ride with Fame, Hearts And Minds, etc. Após a violência de SYC foi altura para pausa de jantar e descanso durante 30/45 minutos, com restaurantes à volta para quem não tivesse trazido a merendinha.



Perto das 22 começou Grankapo com um estilo e qualidade bem elevados e já bem conhecidos na cena, a abrir com Man Killing Man e com bastante público activo com stage divings e crossroom's, sendo uma das melhores actuações da noite como era esperado.



Depois estrearam-se então em palcos nacionais os franceses Providence! Depois um inicio muito cómico (em que pediram ao DJ uma musica do estilo Discoteca e começaram todos a dançar) passaram de seguida para uma entrada agressiva, especialmentea bateria, mostrando assim quem realmente eles são. Com os seus famosos beatdown's, surpreenderam de forma positiva com a sua excelente actuação em palco tal como a adesão do público para quem não os conhecia, acabando com o seu auge: This is Filthy Paris!.



Nesta altura, e ainda que o público estivesse já um bocado cansado, ninguém parou quando entrou For The Glory em palco como era de esperar, em que o Congas salientou que com um palco e espaço daquela dimensão, teria que ser muito agressivo e muitos stage dives. E assim o foi, com o público a dar as suas ultimas por FTG, penso que foi a melhor actuação da noite, em que quase nem deixavam o Congas cantar.



Por último e como já era um bocado tarde, perto das 2 da manhã, actuou a banda de cartaz alemã, Black Friday '29. Esta banda não teve muito público devido à hora em que muitos que vieram de transportes tiveram de se ir embora. Mas isso não os deixou preocupados, entraram com o seu famoso tema The Pursuit of Hapiness, com uma qualidade de som exuberante e um estilo de old school hardcore com 2 step's. Apesar de não ter sido a melhor actuação em relação público-banda, penso que foram os melhores na sua actuação individual.



De parabéns está a Massmurder (Domy, Azare, Jony) por este magnifico espectáculo, pois é difícil organizar estes festivais devido à falta de dinheiro e apoios mas mesmo assim conseguiram fazê-lo e correu tudo como esperado. Os agradecimentos vão para todos os que tiveram presentes, ao Revolver Bar, às bandas que actuaram e aos que apoiaram este Fest, (Santuário do Rock Bar e 4TheKids)

Gostava apenas de salientar que é triste ver pessoal a levar certos tipos de equipamentos para concertos que são sobre “irmandade” e respeito. Deixo aqui apenas a mensagem em como é triste ver isto e para que o pessoal lembre-se que isto não é para aleijar ninguém propositadamente e não levar esses tipos de “equipamentos”.

Fotos dos Concertos disponíveis em A.L. Photography's Albums

Review por NoTe
Vídeos por No Path To Follow

23/10/2009

Stay Hungry - No Beginning, No End


Uma reminiscência do fim dos anos 80, inicio dos anos 90. É um pouco assim que poderíamos, em traços gerais, definir os Stay Hungry. A banda sueca lança este ano “No Beginning, no End” e traz de volta ao hardcore straight edge, não só europeu mas também mundial, algum peso e frontalidade – diria até personalidade – que o mesmo vinha perdendo e no qual se encontrou grande ênfase em álbuns de bandas como Judge ou Youth of Today.

Incluídos naquilo a que se convencionou chamar de Swedish Straight Edge Terrorforce – algo parecido com a FSU de Boston – os Stay Hungry trazem em “No Beginning, no End” um som agressivo, rápido e de onde se antevêem violentas mosh-parts nos concertos. São 9 as músicas e ao longo de pouco mais de 12 minutos o objectivo é simples: libertar o diabo, promover o straight edge e debitar verdades. In your fucking face.

De recordar que a banda estará em Portugal no próximo dia 7 de Novembro, o concerto decorrerá no Revolver Bar em Cacilhas (ex. Culto) e contará com a presença dos portugueses Deadly Mind, Overcome e LifeDeceiver.

“No Beginning, No End” está disponível via Reflections Records e pode ser adquirido em:



11/10/2009

Show of Force EP


Os países baixos europeus têm vindo a ser um dos maiores, se não mesmo o maior, exportador de bandas europeias hardcore com maior reconhecimento. Assim de repente lembrar-me-ia de nomes como No Turning Back, Justice, True Colors ou Rise and Fall.

Seguindo o legado vindo dessa zona da Europa chegam também os Show of Force, banda holandesa sediada em Utrecht. Fundados em 2007, reza a lenda que a banda se iniciou como banda de covers, prestando homenagem às suas bandas preferidas (Icepick, Cro-Mags, Leeway, etc.) Ambicionando algo mais, os Show of Force começaram a trabalhar nos seus próprios temas. A banda esteve então recentemente em estúdio para gravar o seu EP de estreia. Gravado no Independent Recordings, saiu sob a chancela da Real Recognizes Real Records.

O som de Show of Force remete-nos automaticamente para o fim dos anos 80, onde bandas como os Cro-Mags e os Leeway – como aliás, já referi – reinavam. Há no entanto, uma mistura que faz os Show of Force soar a algo novo. Os holandeses conseguem misturar muito bem um som mais old school como um som mais recente, que torna o seu hardcore bastante agressivo e muito “in your face”. É de esperar então, não só os ritmos acelerados mais à la década de 80, mas também os balanceantes breakdowns do hardcore mais recente. Os Show of Force conseguem com esta mistura apresentar uma sonoridade que não se confunde com outras bem mais batidas e cansadas.
Este EP de sete músicas marca então ao longo dos seus 16 minutos uma introdução daquilo que podemos vir a esperar dos Show of Force futuramente. Aos interessados o registo pode ser adquirido em http://www.allhiphopshop.com/ e em http://www.realrecognizesreal.com/





23/09/2009

Ruiner - Hell is Empty


Sempre que uma banda lança um segundo longa duração somos impelidos a estabelecer um paralelismo com o anterior registo. Prepare to be Let Down fora em 2007 o primeiro longa duração da banda de Baltimore e surge agora em 2009 Hell is Empty.

Se só conhecem Ruiner através desse anterior registo quererão esquecê-lo antes de ouvir este Hell Is Empty. Por mudança de produtor poderá estar, ou não, a razão de uma mudança de som da banda que nos remete para os seus inícios. A fantástica produção de Prepare to be Let Down dá lugar a uma produção mais suja, transformando Hell is Empty num álbum não tão imediato como o era Prepare to be Let Down. A voz de Rob Sullivan parece menos poderosa, mais afónica diria – voz essa que é, ou era, para mim, um ponto característico da banda. O próprio trabalho de guitarras não soa tão “catchy” e não há uma linha de baixo tão brilhante como em Lives We Fear, por exemplo. A parte lírica mantém, apesar de tudo, a sua muito característica vertente nihilista, depressiva. Visões de uma banda que pinta um retrato sempre muito negro do mundo que nos rodeia. Tal pode ver-se não só pela temática abordada liricamente, mas também no próprio nome da banda e em ilustrações a ela associada - falemos de merch ou artwork – bem como através de títulos de músicas e álbuns.

Por outro lado se já conheciam Ruiner desde os tempos da demo ou de What Could Possibly Go Right, irão verificar que este poderia – quiçá deveria – ter sido o seu sucessor cronológico. Um registo que em muito vem recuperar o “feeling” dessas gravações. Um álbum que crescerá com o tempo e sucessivas audições.

Hell is Empty marca então o regresso, dois anos depois, de uma banda muito especial no panorama hardcore mundial. Procede a colectânea lançada o ano passado, onde se incluíam temas anteriormente lançados em demos e ep’s antigos [I Heard These Dudes Are Assholes]. Retiro como ponto alto do álbum as músicas Convenient Gods e Solitary.

Myspace da banda: www.myspace.com/ruiner

14/07/2009

Death Before Dishonor - Better Ways To Die - 2009

Death Before Dishonor é dos nomes mais fortes do movimento Hardcore em Boston, uma banda que aproveita o ano de 2009 para solidificar cada vez mais o seu nome no panorama Hardcore mundial com o seu mais recente álbum : " Better Ways To Die ".
Um trabalho constituido por 11 faixas cheias de agressividade, ao velho estilo que a banda nos habituou em "Count Me In" ou " Friends Family Forever ", e da qual resulta num dos mais esperados lançamentos deste ano da Bridge Nine Records. A banda liderada pelo vocalista Bryan Harris apresenta-nos um excelente álbum, primeiro pela qualidade dos músicos e segundo pela produção do trabalho. Gravados por um nome gigante da cena Hardcore, Jim Siegel não fez por menos e mostra-nos que na maior parte das vezes o que é simples é bom e é eficaz, simplificando certamente o trabalho de Eric Baird que nos estúdios Half Son Of Audio fez o trabalho de masterização. Uma mistura coerente entre as guitarras ao qual se juntou uma linha de baixo muito complexa, o que cada vez me surpreende mais em Death Before Dishonor confesso, e que prova a grande qualidade do baixista Rob. Andrew Murphy ( Memphis ) mostra que está em grande forma ao comando da bateria somando ao colectivo uma fórmula de sucesso da qual resultam rápidos e furiosos breakdowns, riffs limpos e muito bem conseguidos, letras com sentido crítico e uma voz bem ao estilo Hardcore de timbre grave que acaba por não fugir muito a um padrão que já reconhecemos em Death Before Dishonor. Certamente dos registos mais importantes para a banda a qual aconselho uma audição atenta, um álbum que vale pelo seu todo e pela forma como parece ter sido concebido. Uma excelente compra !