06/12/2010

Keep Walking - Pirate's Heart


É preciso, por vezes, um “Pirate’s Heart” para que se aguentem muitos dos contratempos e adversidades que a vida nos traz. Estejamos a falar de questões pessoais, estejamos a falar de questões profissionais. Musicalmente, será isso que os Keep Walking pensarão.

“Pirate’s Heart” estava gravado, na gaveta portanto, desde Janeiro de 2009. Ou melhor, o álbum tivera as suas sessões de gravação já nos idos meses de Dezembro 2008 \ Janeiro 2009 e voou até Nova Iorque, até Alan Douches, a fim de ser masterizado no West West Side Studios. Reza a lenda que terá sido intenção ser lançado nos meses que se seguiam mas, como podemos desde logo antever, contratempos se intrometeram e somente agora, juntamente com o terminus da banda, “Pirate’s Heart” chega até nós.

“Pirate’s Heart” é, então, uma boa mostra do que de melhor se faz por Portugal em termos mais melódicos. Dentro do hardcore, claro. Músicas que remetem para Modern Life is War, para Dead Hearts, para Comeback Kid... Liricamente interessante e, relativamente complexo – isto é, sem uma composição clássica de texto musical – “Pirate’s Heart” segue um pouco o conceito perceptível pelo título: vivências. Pessoais e colectivas. Desilusões, política, arrependimentos, confiança, esperança. É por aqui que “Pirate’s Heart” navega. O álbum conta ainda com a participação de Poli (Devil in Me) e de Mike Ghost (Man Eater) nas músicas “Fireball In a Single Second” e “Pirate’s Heart” respectivamente, sendo que, esta última, marca mesmo o ponto alto do álbum, metaforizando a vida com histórias de pirata. Musicalmente, a faixa mais interessante do álbum, que culmina com sons de gaivotas e mar. Afinal, estamos no Algarve.

“Pirate’s Heart” chega então até nós, finalmente, sem chegar a ver a luz do dia de forma conveniente e como merecia – isto é, sem uma edição física e sem um conjunto de release shows -, mas chega. Gravado no Blacksheep Studios por Makoto Yagiu (If Lucy Fell) “Pirate’s Heart” marca o fim de mais uma banda em Portugal.

Da nossa parte resta-nos desejar a maior sorte futura aos membros.

Keep Walking Myspace

20/10/2010

Devil in Me - The End

Uma das coisas boas que sentimos quando ouvimos um disco novo de determinada banda – que não o primeiro, entenda-se -, é quando nos apercebemos que a banda cresceu, o som amadureceu e, de certa maneira, o seu estilo se aprimorou.

Isto, tudo, acontece com “The End” o mais recente e recém editado álbum dos portugueses Devil in Me, que têm estado especialmente ocupados nos últimos tempos, contando com lançamentos de concerto em formato DVD, edição de um EP de covers e ainda tours com algumas das bandas mais importantes do panorama hardcore mundial, como os Madball ou os Comeback Kid. E, terá sido – possivelmente – desta tour que terão saído muitos dos sons, melodias e líricas de “The End”, bem como a ideia de colaboração com Andrew Neufeld (vocalista actual dos canadianos Comeback Kid) para a produção do disco dos portugueses. Facilmente será de adivinhar que Neufeld participa igualmente, com vocais na faixa “The Fall”.

“The End” como já referi, é Devil in Me. Mas, da mesma maneira que é Devil in Me, mostra uns novos Devil in Me. As guitarras estão mais melódicas, mais trabalhadas, o álbum\som é ainda mais épico que os seus antecessores, as letras mais artísticas e, mais interessantes e menos cliché (vide The End, Postponed, The Fall). Ou seja, a banda põe de lado o seu hardcore mais musculado, mais macho e viril – especialmente notado em “Born to Lose” -, perde igualmente muito da onda Sick of it All de “Brothers in Arms” e ganha algo mais próximo de uns actuais Comeback Kid. (isto tudo, meramente para que, quem ainda não tenha ouvido o álbum, saiba o que esperar, não significando, de todo, que a banda se tornara uma cópia de Comeback Kid). O álbum conta, ainda, com as participações de Mike Ghost na faixa final (Claim My World) - estreitando as linhas entre o som de Devil in Me e de Men Eater – e de Andreia Duarte em “Push, Twist & Turn”.

Os Devil in Me cimentam, assim, definitivamente, a sua posição como uma das bandas mais importantes do género em Portugal sendo, possivelmente, a banda com maior projecção na actualidade. “The End” faz juz a esse titulo e promete colocar os Devil in Me na rota das principais cidades europeias. O álbum tem a assinatura da Rastilho Records e estará disponível nas lojas portuguesas a partir de dia 8 de Novembro.

11/05/2010

More Than Life - Love Let Me Go

Quando uma banda de hardcore atinge os tops de audições via myspace, é sinal que a ela está, intrinsecamente, associado um hype, de alguma forma, desmedido. É um facto, os More than Life são, aos dias de hoje, a banda mais popular do hardcore europeu.

Depois do mais que aclamado EP de estreia da banda, “Brave Enough to Fail” – segundo registo físico depois da demo “Prelude” –, foram precisos cerca de dois anos até que algo novo desta banda pudesse ser ouvido. E a antecipação é por demais evidente quando, há semanas atrás, a banda inglesa possibilitou para audição quatro novas músicas que seriam parte integrante do LP “Love Let Me Go” que, na altura, estava para breve a sua edição e, como disse, essas mesmas faixas transportaram os More Than Life para os topes do Myspace.

E esse dia chegou. O mais que aguardado e antecipado álbum de estreia daquela que, volto a frisar, é a banda europeia de hardcore mais popular actualmente, está por aí para ser ouvido e, acima de tudo, apreciado.

“Love let me Go” segue a toada do que melhor se faz pelo, igualmente bastante popular nos dias de hoje, hardcore melódico. Na senda de bandas como Defeater, Killing the Dream, The Carrier ou, dos também europeus, Dead Swans ou Gold Kids. Bandas que elevam o hardcore a um estatuto muito mais artístico, que não se ficam pelas fronteiras do som tradicional do hardcore, da generalidade das bandas. Bandas que empregam uma maior melodia instrumental e que a suportam com letras mais pessoais e instrospectivas.

Extremamente melódico e com imensas partes de instrumental, “Love let me Go” quando completado pela voz do vocalista, torna-se denso, depressivo, emocional. Aliás, é também um facto que existem poucos vocalistas no hardcore actual a conferir a emoção e o sentimento que o vocalista dos More than Life emprega às músicas da banda. Pequenos trechos como: “fading away with the scarlet skyline, pray for the sun to set earlier every fucking day rotting away, the price of love we pay, i put the last red rose on her grave”, “i've lost track of everything, this life has lost all meaning, its too late. there's no time for goodbyes, my youth has given up on me, im dying inside, is this all i know, this deathbed is my home, take my life away” ou ainda“Daisy hill so easily you always get to me, i can hardly breath . At the end of the street i swear i saw myself walk in front of the road and with a flash of i light i was gone . i was fucking gone. in my dreams why is your house number upside down, why do floorboards creek so loud as if death was chasing me, since the day i was born deaths been chasing me back home.” São mais que exemplificativos do poderio emocional que a banda atinge. Ora, com toda esta envolvência lírica, a melodia instrumental e a emoção que o vocalista emprega, estamos na presença de um dos melhores álbuns do ano em hardcore.

Num álbum que é culminado com a faixa que o intitula, os More than Life atingem um nível épico pouco conseguido em álbuns de hardcore. Faixa essa que conta ainda com a presença do vocalista dos The Basement, que emprega uma toada mais cantada à parte vocal.

“Love let Me Go” é assinado pela Purgatory Records e conta ainda com a colaboração do vocalista dos Dead Swans em “Take My Life Away” e contém ainda trechos de Meet Joe Black em “Obsession”. Quem se conseguirá alhear deste – bom – hype?



19/02/2010

Critical Point

Surgidos de Faro os Critical Point perfilam-se, juntamente com os Pressure, como os porta-estandarte do hardcore straight edge nacional. Para além disso, os Critical Point são ainda uma voz importante na defesa e disseminação da mensagem vegan e vegetariana.

Com uma formação já conhecida de todos os nós, os Critical Point trazem a surpresa que é ver Rafael Madeira na liderança da banda. Anos depois de passar o tempo a bater na tarola de bandas como Wise Up, Pressure, Pointing Finger ou mais recentemente nos Broken Distance, surge agora ao microfone da recente banda algarvia. A acompanhá-lo estão os companheiros de longa data, David Rosado (Bateria), João Boto (Guitarra) e Valter Ascensão (Baixo).

Como desde logo podemos perceber, os Critical Point trazem-nos o já típico Youth Crew de Faro. Mensagem baseada nos valores do straight edge e do vegan\vegetarianismo e ainda sobre o hardcore em si, os que tanto o amavam e que agora sumiram por misterioso acontecimento.

A Salad Days traz-nos então 4 músicas – pouco mais de 5 minutos – de hardcore youth crew bem ao estilo nova-iorquino de uns Youth of Today que, não sendo surpresa para ninguém, é a banda referência dos Critical Point, sendo este o seu terceiro lançamento depois dos registos de Please Die e de Not Sorry – igualmente disponíveis, ainda.

A banda tem já disponível algum merch e demos pelo que os interessados poderão fazer a sua aquisição em http://www.myspace.com/criticalxpoint e em http://www.myspace.com/saladdaysrecs.



01/02/2010

Broken Distance - Último Concerto

There are no more words that they can speak.”

Os Broken Distance encerraram, no passado sábado dia 30 de Janeiro de 2010, as suas funções enquanto banda. Quase quatro anos depois do seu primeiro show, – Icepick em Faro a 1 de Junho de 2006 – a banda algarvia dá assim por terminada a sua carreira sob o nome Broken Distance.

A fim de tornar ainda mais memorável este concerto, a banda decidiu que o mesmo iria ser realizado em regime de benefit - onde se faria uma recolha de roupa a reverter para a Junta de Freguesia de S.Pedro e a entrada do show reverteria para o Movimento Pro Animal de Faro – algo que, infelizmente, parece ser cada vez mais raro num movimento pro social como o é o hardcore.

Este foi, portanto, o segundo concerto de despedida mas o último mesmo, após o concerto de 29 de Novembro do ano transacto no Montijo.

Desta feita, a acompanhar os Broken Distance estariam os Pressure e os A Thousand Words, ou seja, um line-up completamente algarvio, pelo que todos jogavam em casa.

Algo longe de sentir razoável calor conterrâneo estiveram os Pressure, a quem coube a honra de abrir o concerto de despedida de uma das mais importantes bandas nacionais dos últimos anos. Os Pressure, como sabemos, são igualmente uma das bandas nacionais mais importantes dos últimos anos, ainda assim, sob outro nome. Com um set curto e intenso q.b., a banda hardcore youth crew de Faro apresentou os seus temas, baseados na demo lançada em 2009, bem como uma cover de Youth of Today (Break Down the Walls) à qual poucos não conseguiram ficar alheios. Tempo houve, ainda, para no fim do set da banda mais straight edge portuguesa actualmente, alguém desabafar o seu desânimo pelo que acabara de ver.

Acompanhados por uma crew numerosa – não straight edge, mas youth – os A Thousand Words foram a Faro representar a “street” de Quarteira. Claramente influenciados pela cena hardcore mais pesada de Nova York – ainda que os Terror sejam de LA – a banda de Quarteira desempenhou uma boa surpresa para quem não esteja acerca da sua popularidade pelas terras do sul. Óptima adesão por parte do público presente na varanda da Associação de Músicos de Faro, praticamente cheia.

“I’m crawling alone…” ou não.

Chegara então a hora dos Broken Distance cantarem pela última vez a banda sonora dos nossos tempos áureos. Como disse, cerca quatro anos depois a banda algarvia deu então por terminada a sua actividade musical, é seguir agora os projectos paralelos dos membros.

Como não poderia deixar de ser, a banda protagonizou o show mais intenso da noite. Por parte do público, notava-se que estavam lá por eles. Renderem-lhes a última homenagem possível e agradecer-lhes a importância que tiveram no panorama hardcore português. Isto, é dizer cantar ao longo de todo o set, dançar, saltar… Tudo o que é possível fazer-se para que o concerto pareça um daqueles last shows que tanto gostamos ver no dvd lá de casa. A banda apresentou um set baseado no seu EP “Hourglass”, presenteando ainda assim a Associação de Músicos de Faro com uma surpresa: “Lovebites and Stereo” - feel the burn under my skin, I’ll soak my wounds in gasoline – que, reza a lenda, não terá sido, ou pouco terá sido ensaiada. Nada que se percebesse ainda assim. Para finalizar, o baterista da banda (Ludgero Urbano) rematou o set com a cover de Cro-Mags (Don’t Tread on Me) na voz. Aqui, poderia ter entrado em cena, no final, a rapariga que não terá gostado de Pressure para sinalizar a fraca afluência do público para aquela que tem, opinião de peritos, o melhor álbum hardcore de sempre.

Faro viu então mais uns filhos pródigos terminar, o que é, acima de tudo, mais uma perda para o hardcore nacional. Para quem gosta da banda, resta sempre a memória, lutar pela recordação das letras “I’m trying, trying to rememeber those words. I’m trying, trying to forget how it hurts” e o desabafo de que “we only value things once they’re gone”.

15/12/2009

Not Without Fighting - Believe

Francamente, as reviews a albúns não são o meu forte, mas como este albúm estava mesmo a pedi-las, cá vai:


Depois de já terem lançado uma demo com 4 musicas (que ganhou o prémio de melhor capa e melhor demo do Seixal), outra demo com 2 musicas com a Ita a fazer dueto o Domy na voz,


os Not Without Fighting , rapaziada da Margem Sul do Tejo, apresentam-nos um novo trabalho, entitulado de "Believe".
Sem fugirem ao que era esperado e sem desiludir quem tinha as expectativas em alta, com riffs pesados, aliados a muita velocidade e guitarradas bem salientes, sobressaindo isso logo na 1ª música, One Choice One Price que , após uma breve introdução, nos dá um riff de guitarra mesmo a incentivar ao demónio que vai em ti.
A única parte que peca, na minha opinião, é o tamanho das músicas, mas que, nem por isso, faz com que o albúm se torne aborrecido. Sem dúvida, o melhor trabalho da banda.
A nível de qualidade, a masterização está muito boa, tendo em conta que foi DIY, e, agora que vem aí o Natal, esta é uma boa escolha, visto que além do que já disse, a demo apenas custa 7€ e contém 7 músicas, uma delas que conta com a presença de Fuck (Grankapo):
1- One Choice, One Price
2- In this World ft Fuck (Grankapo)
3- Die Hard
4- Liar
5- Execution of Mind
6- Breakdown
7- One Day

Myspace

30/11/2009

Montijo, 29 de Novembro de 2009


Data já de quatro anos desde que o Montijo foi posto na rota do panorama hardcore nacional, principalmente pela mão da Young Heart Bookings. Concertos esses que sempre foram marcados pelo profissionalismo e dedicação que só algo que é feito com o coração, sem qualquer tipo de apoio ou interesse económico, consegue ser. Durante estes quatros anos, mais precisamente desde Novembro de 2005, realizaram-se 18 concertos nesta cidade a sul do Tejo, onde diria ter tido, esta actividade, o seu ponto alto com a realização do último concerto dos Day of the Dead. É então, no dia 29 de Novembro de 2009, que se realiza aquele que, segundo o organizador, pode muito bem ser o último concerto do Montijo. Para além desta situação pouco agradável, culmina também com o último show da banda Broken Distance fora da sua terra Natal.

Com algum atraso no seu inicio, cujas portas estavam jocosamente apontadas para as 15.56h o 19º show hardcore do Montijo viu o último show da tour europeia dos Broken Distance e, como já referi, ultimo acima do Algarve e viu nascer uma nova banda, os Swallows.

Foram exactamente os Swallows que abriram esta matine num domingo bem indicado para se estar dentro de uma sala a divertir, esquecendo-nos dos copiosos aguaceiros que teimavam em cair. Sem que se conheça muito da banda, os Swallows pareceram navegar numa onda próxima de Converge e, como diria alguém mais informado, uns Converge menos confusos. Contudo, o som não ajudou a banda, pelo que não se percebeu muito bem a orientação das guitarras – que se pressupõem dividir-se em tempos caóticos e slow tempos. Foi no entanto a voz que mais se fez estranhar, com algumas colocações a lembrar bandas mais extremas do metal. É, seguramente, uma banda que se irá ter de ouvir melhor numa outra situação a fim de aferir a real orientação musical da mesma.

Seguiram-se os No Good Reason e, atrevo-me a dizer, o melhor show que já vi da banda. Diria que finalmente, hoje, a banda almadense viu ser um pouco reconhecido o seu trabalho de alguns anos já. Com uma óptima entrega dos seus elementos que a constituem, algo que, nunca deixou de acontecer em alturas anteriores, mas essencialmente a entrega do publico foi muito mais motivadora que noutras ocasiões. É de realçar o set que a banda preparou – peca talvez pela não inclusão da música Tonight – onde se lembrou que os Black Flag são uma das melhores bandas de sempre. As músicas novas abrem o apetite para o futuro de uma das bandas mais personalizadas da cena hardcore actual.

A terceira banda da noite foram os Critical Point. Os Critical Point são uma banda recente também do Algarve e trazem de novo o som do Youth Crew clássico dos anos 80 de Nova York. Set musical curto derivado do seu recente inicio de actividade mas que é, positivamente, intercalado com discursos interessantes por parte do vocalista Rafael Madeira. Creio que, infelizmente, esses mesmos discursos não tenham sido, a determinadas alturas, bem compreendidos pelos elementos da plateia. Notava-se, contudo, o cansaço que uma tour europeia pode ter sobre os elementos de uma banda, pelo que o concerto dos algarvios poderá não ter sido tudo aquilo que a banda pode oferecer. É de referir, apesar de tudo, a entrega de uma banda que ofereceu ainda Crippled Youth.

Sem que a diferença fosse grande - os elementos eram os mesmos e só alteravam entre si alguns instrumentos - iniciaram de seguida os Broken Distance. Já aqui se disse que a banda ia dar o seu último concerto fora do Algarve naquele que era também o ultimo concerto da tour europeia da banda. Foi provavelmente o concerto da tarde. Penso não haver um ponto negativo neste concerto. As músicas que fazem a diferença, boa presença, bom discurso do David, boa cover (Cro-Mags) e, mais uma vez, óptima entrega do publico com frequentes sing-a-longs, stage dives – ou pelo menos aquilo que o baixo palco da sala permitia – invasões de palco. Uma festa bastante digna de uma banda que está em vias de cessar funções. Como representante da cena hardcore nacional, um obrigado aos Broken Distance.

Para finalizar em beleza seguiram-se os Reality Slap. Com merch novo e um disco acabado de sair a banda viu-se a braços com um concerto que se iniciou algo tímido por parte da assistência. Poder-se-ia dizer que, se calhar, não tinham o seu publico já que era talvez a banda que mais destoava do restante cartaz – fora Swallows, claro. No entanto, não foi algo que se tivesse verificado. Nas fantásticas 1000 Faces, Breaking Out ou Step Back poucos foram aqueles que não se mexeram, que não dançaram, que não gritaram. Basicamente, poucos os que não fizeram a festa. Certamente não terá sido o melhor concerto - em termos globais - da banda, mas foi, certamente, um óptimo concerto.

Palavra final para o ambiente, que foi um dos melhores a que já assisti num show de hardcore. Há muito tempo não sentia que se estava ali realmente pelo movimento, pelas bandas, pela música, pela mensagem. E isto percebe-se pela entrega das pessoas e pelo ar de satisfação de todos os intervenientes do show. É notório que no Montijo existe algo especial, que não pode – nem deve – morrer.