21/09/2012
Grankapo + A Thousand Words + Another Day Will Come @ Roterdão Bar
03/05/2012
Rise and Fall @ Cacilhas
21/03/2012
Bane + Cruel Hand + Rotting Out + Shape @ Cacilhas
11/03/2012
Burning Man - Ronin
21/12/2011
Alto do Pina - 18/12/2011

13/12/2011
Montijo Hardcore - 27/11/2011

De regresso ao Montijo e, em estreia absoluta nestas lides, o hardcore visitou a Timilia das Meias, o novo centro cultural desta pequena cidade, mais habituada a outro tipo de... touradas. Ponto final da tour europeia para os algarvios Critical Point, a tarde contou ainda com a presença dos Hard to Deal, dos Shape e dos Step Back! - também eles de regresso aos concertos na zona de Lisboa.
Infelizmente, não foi uma muito concorrida Timilia das Meias, uma nova venue que aparenta apresentar condições de topo para receber este tipo de concertos, que recebeu de volta o hardcore no Montijo. Uma sala com um som perfeito e, diria até, o tamanho certo para este tipo de concertos. Faltou principalmente público local, - algo que é capaz de desmotivar o mais apaixonado dos promotores, totalmente imerecido por todo o dinamismo que os mesmos ao longo dos anos vêm imprimindo à cidade -, para acompanhar as cerca de meia centena de pessoas que assistiram a mais uma matiné hardcore.
Os Hard to Deal vão, a pouco e pouco, ganhando a consistência ao vivo que os tornará uma ainda melhor banda. Ficando, por isso, sempre a ideia, a cada concerto, de que se vira o até então, melhor concerto deles. A banda apresentou os temas do seu EP de estreia (“Never Ending Story”), bem como uma música nova – aparentemente intitulada “Carry On”, mas ainda não oficialmente -, que demonstra, só por si, o talento da banda e para a qual ficam reservadas grandes expectativas para a sua audição a um nível mais profissional. Sofrendo do estigma de banda recente, os Hard to Deal ainda não conseguem ter a adesão – merecida – do público, onde o mais perto disso terá acontecido durante a cover “I Saved Latin” dos American Nightmare.
Os Shape voltaram a incendiar uma sala por onde passam e, isto, tem bastante a ver com a fiel crew de apoio que sempre acompanha a banda. Num set claramente mais curto que o habitual na banda, não faltou ainda assim, a emoção que sempre os caracteriza, principalmente em músicas como Vampires ou Rotten Inside. A banda voltou a incluir a música “1992” dos lendários X-Acto no seu set, um momento que resulta sempre numa grande adesão do público.
Com o seu regresso a Portugal, os Critical Point deram por terminada a tour europeia que haviam iniciado a 4 de Novembro. Os algarvios são de uma espécie que parece já extinta em Portugal. Youth Crew clássico, sem merdas, de orientação posi e muito vegan straight edge pride. A verdade é, já não se fazem bandas assim. Uma banda que vive bastante do spoken word, com palavras sempre bastante conscientes. Os Critical Point apresentaram um set pautado por músicas da sua demo, do seu EP “Trial & Error” e ainda uma cover de Mainstrike e Judge que, “se algum straight não conhecer, se deve envergonhar”. A banda parece ir recebendo o mais que merecido reconhecimento do público – que ajudou acanhadamente o vocalista Rafael Madeira. Esta é uma banda cujos membros já muito deram ao hardcore português e uma das razões pelo qual o mesmo subsiste e acontece frequentemente em várias zonas do país. Algo que, não fora a qualidade da banda, deveria ser garante, por si só, de grande respeito e reconhecimento.
De regresso à zona de Lisboa, estavam os Step Back! Que ficaram encarregues de encerrar a tarde de concertos no Montijo. Limitado fisicamente, o vocalista da banda foi pedindo a adesão do público, desde que não se lhe tocasse em zonas sensíveis. Pelo menos, de forma agressiva, não sabendo qual a reacção que adviria de um toque mais carinhoso. Mas ninguém queria que houvessem “stitches out” que não somente musicais e, quanto a isso, tarefa cumprida. Numa palavra, o concerto dos Step Back! É groove. Uma voz super versátil e, como disse, groovy as fuck, colorida por riffs e mais riffs, aos quais parece, ainda assim, carecer de um outro acompanhamento a nível de guitarra. A banda foi apresentando um set bastante concorrido, de especial incidência sobre músicas mais recentes, ao qual não faltou uma fidelíssima cover de Cro-Mags (“World Peace”). Espera-se agora que os mercados financeiros melhorem para que a banda tenha viabilidade económica para se lançar na gravação de novos temas e um novo registo, quiçá, um longa duração.
Concertos como estes do Montijo são o exemplo da preserverança, do amor pelo hardcore e pela cena local, do empreendedorismo e do dinamismo que pessoas como o Filipe e o Fábio. E são também exemplos da importância que o “support your local scene” tem em pequenas cenas underground como Portugal. O repto que aqui deixamos, é o de apoiarem os Filipes e os Fábios da vossa terra. O hardcore não existe só nos grandes centros e nas bandas estrangeiras. O 4theKids só pode agradecer que concertos deste género vão continuando a acontecer pelo país, mesmo que não tenhamos a possibilidade de os frequentar.
26/09/2011
For The Glory, Grankapo, ColdBlooded, For Ophelia's Death e Hard to Deal, Cacilhas

Foi um praticamente cheio Revolver Bar, em Cacilhas, que recebeu de volta os For the Glory, na sua última data da recente tour europeia. A tarde era também marcada pelo apoio a instituições de beneficiência a pessoas carenciadas, através da angariação de produtos alimentícios para as mesmas. Mais um exemplo por aquilo que se deve pautar o hardcore: mais que um estilo de música, ter uma vertente e consciência social bem activa. A apadrinhar o regresso dos For the Glory, estavam ainda os Hard to Deal, os For Ophelia’s Death, os Cold Blooded e os Grankapo.
O concerto dos Hard to Deal vem no seguimento de um Setembro bastante movimentado, com vários concertos, um EP lançado e, ainda, uma distinção honrosa – valha o que isso valha – como banda da semana para o 4THEKIDS. E, foi esta experiência adquirida durante este mês, que mostrou uns Hard to Deal cada vez mais consistentes que em datas anteriores. Não só a nível sonoro, mas igualmente a nível de presença de palco. O set dos Hard to Deal foi, como se poderá calcular, incidente no seu recente trabalho “Never Ending Story” e foi ainda adornado com duas covers, de Life Long Tragedy e One Life Crew.
Para os For Ophelia’s Death não se afigurava tarefa fácil. Não só iriam tocar num alinhamento de bandas que fugia um pouco ao seu som, estando, por isso, algo desenquadrados do restante cartaz, como ainda se viam impossibilitados de tocar com baixista, por razões pessoais do mesmo. Um esforço que será de louvar, mas que não estamos certos de ter sido frutífero para a banda. A apresentar o seu recente EP, o For Ophelia’s Death não terão conseguido converter ou, sequer, convencer alguns dos presentes da sala. A falta do baixista foi claramente um handicap ao longo do concerto ficando, por isso, a necessidade de ver a banda em condições mais favoráveis.
Numa tarde de ausência de membros de bandas, também os Cold Blooded não puderam contar com o seu recente novo membro, o guitarrista João Fonseca tendo, por isso, voltado à sua formação mais clássica de quatro elementos e, somente, uma guitarra. Mas, neste caso, o som da banda não se ressentiu sobremaneira, até porque fora nessas condições que a banda quase sempre actuara. E os Cold Blooded estão, cada vez mais, e concerto a concerto, a tornar-se numa das grandes bandas nacionais. Algumas músicas como “Watch Your Mouth” são já bastante bem recebidas pelo público que não se coibe de chegar à frente, cantar e dançar durante todo o set. Set em versão fast forward, afinal eram cinco bandas numa tarde, mesclado entre as músicas da demo e do EP e ainda com a apresentação de uma nova música.
Com um novo álbum acabado de sair do forno, os Grankapo são, ao dia de hoje, uma das maiores bandas de sempre no panorama hardcore nacional. São mesmo já um dos clássicos e nome incontornável na história da cena hardcore portuguesa. E os concertos da banda demonstram isso mesmo: incriticáveis em palco e uma grande empatia entre o público e a banda. Não será, por isso, de estranhar, que a banda tenha dedicado grande parte do seu set a apresentar algumas músicas novas que figuram no novíssimo “The Truth”. Músicas que demonstram o clássico som da banda, baseado num hardcore mais clássico e tradicional, com bastantes partes rápidas a apelar ao circle pit e mosh parts capazes de agradar aos melhores dançarinos.
Mas a tarde – agora já noite - era, indiscutivelmente dos For the Glory. E, muito por eles, o Revolver voltou a mostrar a saúde em termos de audiência que a cena hardcore da zona de Lisboa tem, aos dias de hoje. Pouco falha num concerto de For the Glory. Sejam músicas antigas, como “Fall in Disgrace”, dedicada aos fãs mais old school da banda – afinal, é a música mais antiga que tocam actualmente, 8 anos depois de terem dado o primeiro concerto -, ou “Drown in Blood” ou “Won’t Crawl on my Knees”, sejam músicas do recente “Some Kids Have No Face”, a sala recebe-las com a mesma felicidade. A felicidade de estarem perante uma das melhores bandas europeias, a felicidade de estarem presente uma das suas bandas preferidas e, orgulhosos, da mesma ser portuguesa. E é deste orgulho que se faz um concerto de hardcore. Orgulho de conhecer a banda, de saber as letras, de querer chegar mais perto do microfone para cantar as letras com que mais nos identificamos. Um orgulho que é, igualmente, recíproco, numa transmissão de energias positivas entre banda e público. Um público que, segundo a banda, é um dos melhores da Europa, quanto mais que não seja pelo facto de, também em uníssono, cantarem “Things We Say” dos lendários Gorilla Biscuits. E isso, meus amigos, é um grande “estudasses, Europa”.
De Cacilhas têm soprado muito bons ventos recentemente. A sala, várias vezes, bastante bem composta e tem sido palco de variados concertos de beneficiência por causas várias. Algo que sempre distinguiu o hardcore de outros estilos musicais, é esta consciência social. Este activismo. Algo que nunca deve ser deixado morrer e, aliás, deve ser incentivado e tornado regra. Há algo mais de música no hardcore e todos devemos ter parte activa no mesmo, não só indo a concertos mas, igualmente, escrevendo, criando zines, etc. O hardcore vai vivendo, e quer-se ainda mais saudável.




